Tipos Mato-grossenses a websérie que homenageia Joabe uma personagens de Mato Grosso

Uma vida de trabalho e fé

Dizem que o trabalho dignifica o homem. Partindo deste princípio, Joabe Almeida dos Santos, desde criança, tem suado a camisa para viver com dignidade. Afinal, o atual prefeito de Santo Afonso-MT (235 km de Cuiabá), antes e após se tornar uma pessoa pública, se ocupou de funções que não gozam do mesmo prestígio social que outras profissões. Mas não considera isso nenhum demérito, muito pelo contrário, se orgulha de já ter sido garimpeiro, motorista de carga, gari e coveiro, ocupações que o aproximaram ainda mais da população e o fez sentir na pele quais são os verdadeiros anseios populares.

Convenhamos que esta trajetória não é lá muito comum na esfera política, por isso talvez cause certa estranheza imaginar que um prefeito tenha exercido funções que, frequentemente, são invisibilizadas socialmente. Mas “Xiru, Índio Velho”, como Joabe é apelidado no município, não nasceu em berço de ouro, por isso sabe que não há profissão indigna, pois é o trabalhador quem enobrece o trabalho.

Por isso, começou cedo na labuta, aos 11 anos, seguindo os passos do pai, o garimpeiro Antídio Raimundo. Apesar da pouca idade, não se intimidava diante dos mais experientes e, ao encontrar o primeiro diamante, investiu o dinheiro em uma bicicleta, meio de transporte que, por sinal, viria a ser muito importante em sua vida, mas, nesta época, ele ainda nem imagina o que estava por vir. Na realidade, enquanto garimpeiro, só esperava pelo brilho reluzente do próximo diamante.

Um promissor início na política

Então, após alguns anos, por conta de dificuldades financeiras, se tornou motorista de transporte de carga. Todavia, devido ao engajamento político da mãe, Dona Delza, que inclusive tentou se eleger vereadora em 1992, a veia política de Joabe se aflorava cada vez mais. Até que, após acompanhar algumas eleições e participar de campanhas, finalmente, em 2000, se lançou como candidato a vereador pelo PDT e conseguiu se eleger.

Na eleição seguinte, obteve, na época, a maior votação da história de Santo Afonso para vereador. “Eu não tinha carro, andava de bicicleta, a pé… Eles iam de camionete e eu ia de bicicleta pedir voto”, se emociona ao relembrar. No início deste segundo mandato, em 2005, a convite do ex-governador Dante de Oliveira, mudou de legenda, se filiando ao PSDB, partido ao qual é filiado desde então.

Após dois mandatos como vereador, se candidatou a prefeito em 2008, porém não foi bem sucedido. Por conta de um planejamento inadequado, acabou renunciando à campanha, apesar de manter a candidatura. Desistiu por achar que não teria chance de fazer frente à campanha de seu adversário, dono de grande poder econômico na região.

Um mandato de provações e a glória

Pois bem, em 2012, preferiu não lançar candidatura, entretanto foi cabo eleitoral do candidato vitorioso que, assim que assumiu, escolheu Joabe para ser o secretário municipal de Obras e de Transporte.

Tudo parecia caminhar bem, pois desempenhava um papel impecável frente à pasta. Porém, justamente por conta do bom trabalho desenvolvido, o prefeito se sentiu um tanto enciumado pela popularidade de Joabe junto à população e, após seis meses de mandato, colocou o Índio Velho para ser gari da prefeitura.

Nada que o fizesse abaixar a cabeça. Passou a cuidar da limpeza urbana e da coleta seletiva do lixo. E também utilizava um caminhão pipa para molhar as ruas que não eram asfaltadas e regar os jardins da cidade. Desta forma, o trabalho do ex-vereador e ex-secretário, agora como gari, era cada vez mais admirado pela população de aproximadamente 3 mil habitantes.

Após dois anos neste ofício, os comentários voltaram a incomodar o prefeito em exercício, que decidiu, novamente, realocar Joabe, desta vez para o cemitério. Calma, ninguém o matou. O Velho Índio se tornou o coveiro de Santo Afonso. Ele afirma ter se sentido honrado com a missão. E, além do mais, por conta do garimpo, não teve dificuldades em se adaptar. “Abria e fechava covas até embaixo de chuva. Como sou garimpeiro, e picareta e enxada são a minha lida, aquilo ali era moleza”.

Enfim, após o término do mandato que mais pareceu uma provação, o balanço foi curioso. Xiru foi secretário por apenas seis meses; gari durante dois anos; e coveiro por mais um ano, antes de ser exonerado.

Entretanto, as atitudes do então prefeito, na tentativa de prejudicar o possível adversário político, acabaram por reforçar a popularidade do Índio Velho. Tanto é que, nas eleições de 2016, ele se candidatou e conseguiu se eleger. Utilizou apenas uma bicicleta para fazer campanha. Sem ela, acredita que talvez não tivesse sido eleito, por isso a mantém em seu gabinete, como uma espécie de símbolo de sua caminhada. Criado sob rígidos preceitos evangélicos, Joabe considera a façanha um verdadeiro milagre.

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